PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A POBREZA EM PORTUGAL

O QUE OS NÚMEROS DIZEM SOBRE OS PORTUGUESES MAIS POBRES

  • O aumento da pobreza afetou sobretudo as crianças. Porquê?

  • Então há menos idosos pobres?

  • Há trabalhadores pobres?

  • Quem tem habilitações académicas corre menos risco de ser pobre?

  • Tendo em conta que as crianças não têm rendimentos, se estão em situação de pobreza é porque a família também está. Os números mostram que um quarto das crianças estava em situação de pobreza (24,8%) em 2014, uma proporção que foi crescendo a partir de 2011 e contrariando a tendência de queda que tinha desde 2009. Em 2014, volta a descer pela primeira vez em quatro anos.

    Ao longo desse tempo também aumentou a intensidade dessa pobreza. Se o olhar se centrar na forma como o risco de pobreza evoluiu entre os jovens, a conclusão não é muito diferente. É até aos 34 anos, mas com maior intensidade entre os 18 e os 24 anos, que a pobreza mais aumentou.

  • Desde o início deste século e até 2012, a pobreza entre os idosos esteve sempre a diminuir. Essa situação inverteu-se em 2013 e 2014. Os dados mostram que, em 2014, 17% dos idosos estavam numa situação de pobreza. De qualquer forma, a melhoria que ocorreu até 2012 não aconteceu de forma homogénea entre a população idosa em Portugal.

    Por um lado, desde 2005 que os rendimentos da população com mais de 65 anos foram crescendo, aproximando-se da média do país, tendo o mesmo acontecido aos níveis de privação material e de desigualdade. Em 1994, 26% da população pobre em Portugal tinha mais de 65 anos, mas em 2010 essa proporção tinha descido para 20%. Esta queda tem ainda mais peso tendo em conta o envelhecimento da população, ou seja, nesse período a percentagem de portugueses com mais de 65 anos passou de 14% para 18% do total da população.

    Por outro lado, porém, não se pode dizer que essas melhorias atingiram todos os idosos. Entre a população com mais de 75 anos a viver sozinha a taxa de pobreza atingia os 30% em 2010. E isso significa que este continua a ser um grupo muito vulnerável social e economicamente.

  • Sim, há. Os números mais recentes mostram que 10,7% dos trabalhadores portugueses viviam abaixo do limiar da pobreza em 2014 e essa é a percentagem mais elevada desde 2008, quando chegava aos 11,8%, segundo o Eurostat. E 6,3% da população empregada (incluindo patrões) viviam numa situação de privação material severa, ou seja, não conseguiam ter dinheiro para assegurar quatro indicadores numa lista de nove — incluindo pagar uma despesa inesperada, aquecer a casa, fazer uma refeição com peixe ou carne de dois em dois dias ou ter televisão, telefone fixo ou automóvel.

    Os números dos Quadros de Pessoal mostram ainda que a percentagem de trabalhadores por conta de outrem a viver em situação de pobreza aumentou de 6,1% em 2009 para 8% em 2014.

    Quando um país tem muitos trabalhadores pobres é sinal de que trabalhar já não é suficiente para garantir uma vida longe da pobreza. Portugal é dos países da União Europeia onde há mais trabalhadores pobres. Só há seis países com uma percentagem superior: Roménia (19,6%), Grécia (13,4%) e Espanha (12,5%) ocupam os piores lugares, além da Estónia, Itália e Luxemburgo

  • O risco de pobreza entre quem tem o 6.º ano de escolaridade ou menos do que isso é, de facto, maior do que nos restantes grupos. E aumentou o número de pessoas pobres com esse grau de escolaridade. Se antes da crise, o risco de pobreza dos portugueses que não completaram o 2.º ciclo era de 27%, quatro anos depois era de 28,4%. Já quem terminou um curso superior estava numa situação de risco muito inferior: 4,7% dos licenciados eram pobres em 2014 (ainda que a percentagem fosse de 2,4% em 2009).